Perfil de cliente: Corporativo x Residencial

junho 20, 2014 em Carreira, Cases

Arquitetura

Dentre tantas atividades desenvolvidas pelos arquitetos, a criação do projeto é uma das mais importantes. É nesta etapa que são analisadas as necessidades e os desejos do cliente, listadas as diferentes possibilidades, avaliados os custos, os prazos e os modelos de gestão mais adequados a cada caso. E, assim como em outras prestações de serviço, o profissional responsável pelo projeto tem de saber lidar com diferentes perfis de clientes.

Enquanto alguns afirmam que clientes são sempre iguais, arquitetos e engenheiros sabem bem que esta não é uma verdade. As diferenças entre clientes corporativos e residenciais já podem ser identificadas na primeira fase do contato. Para apresentar essas principais diferenças, conversamos com dois profissionais acostumados a lidar tanto com pessoas físicas quanto com pessoas jurídicas.

Para Gisela Miró, arquiteta pós-graduada em Design de Interiores, alguns dos pontos mais importantes para projetos comerciais são a urgência e a necessidade de planejamento futuro. “Ambientes corporativos costumam ter mais urgência exigindo, assim, planejamentos mais ágeis e tomadas de decisões mais rápidas. Além disso, é necessário prever expansões. Um projeto empresarial não pode se limitar à quantidade atual de usuários, mas sim providenciar espaços extras para acomodar mais profissionais”, destaca ela que, desde 2009, oferece soluções criativas, inovadoras e sustentáveis em seu próprio escritório montado em Curitiba (PR).

O engenheiro civil Daniel Fazenda Freire também cria projetos para os dois segmentos e sabe que há muita diferença no atendimento. “No projeto corporativo, o cliente costuma ter mais bem definido o que precisa e qual o budget disponível, já no residencial esses são pontos que variam caso a caso”, relata ele que também apresenta como um grande desafio da arquitetura empresarial conseguir encaixar todas as necessidades do cliente dentro da verba disponibilizada sem abrir mão de qualidade e prazos.

Mobiliário e ergonomia – Muitas vezes o conforto acaba sendo deixado de lado pelo cliente corporativo que volta suas preocupações aos custos e prazos. E é nesta hora que o papel do arquiteto se faz ainda mais importante. É ele quem deve estar atento às necessidades dos usuários trabalhando as regras de ergonomia e garantindo conforto e funcionalidade a todos que ocuparão aquele espaço por cerca de oito horas diárias. “O mobiliário deve prever o melhor aproveitamento do espaço existente sendo ergonômico e funcional”, comenta Gisela.

Daniel também acredita que no âmbito empresarial a ergonomia é sempre seguida mais à risca. “No projeto residencial, onde o foco é o cliente, há muito mais maleabilidade. Já no corporativo todos que ali trabalharão precisam estar analisados dentro dos objetivos e é nesta hora que as normas se fazem muito mais específicas e detalhadas”, finaliza.

Papelada e burocracias – A questão burocrática também deve ser destacada, já que o arquiteto é o responsável pelo projeto que assina e pela obra, quando for contratado para acompanhá-la. “Há pouco tempo os projetos comerciais costumavam ser mais burocráticos por conta das exigências que edifícios e órgãos de fiscalização determinavam. Porém, há alguns meses, com a aprovação da norma que exige que qualquer alteração além da pintura tenha um projeto apresentado ao condomínio junto com a RRT (Termo de Responsabilidade Técnica) do responsável, as obras residenciais passaram a contar com normas muito mais rigorosas”, declara Gisela a respeito da NBR 16.280, norma da ABNT que prevê várias exigências para reforma de imóveis.

Abaixo criamos uma tabela que lista algumas das principais diferenças entre estes perfis de cliente. Claro que não se trata de regras, mas alguns pontos comuns observados na elaboração de projetos residenciais no comparativo com corporativos.

Comparativo - Cliente corporativo x cliente residencial

Projetos - Gisele Miró

Projetos - D2F Engenharia

 

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