Jardins verticais – São Paulo merece mais verde

maio 22, 2015 em Cases, Notícias, Sustentabilidade

Singapura - Tree House - Jardim verticalO apelido “terra da garoa” ficou para trás. Hoje em dia, podemos chamar São Paulo de “terra do concreto”. A cidade sofre as consequências de gestões pouco preocupadas com a sustentabilidade e enfrenta situações bastante complexas de serem solucionadas a curto prazo. Uma das maiores cidades do país chora pela falta de água ao mesmo tempo em que pena com alagamentos no verão e lota hospitais e centros médicos com problemas respiratórios no inverno. Porém, vez ou outra somos surpreendidos com ações que buscam recuperar o tempo perdido investindo no relacionamento com a natureza.

Por meio do Decreto nº 55.994, a cidade de São Paulo ganhou permissão para a compensação ambiental por meio da instalação de jardins verticais e telhados verdes. Como reflexo, a Secretaria Municipal do Verde abriu espaço para que condomínios localizados nas intermediações do Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão, demonstrem interesse em receber parques verticais em suas fachadas sem janelas. A arquiteta e paisagista Juliana Freitas festeja a iniciativa. “Considero um bom início para o grande objetivo de ter a cidade mais verde. São Paulo está cada vez mais impermeável e os jardins verticais contribuem para a humanização da metrópole”, declara.

Cerca de 140 condomínios da região têm as características necessárias para participar do projeto e se todos eles recebessem jardins verticais teríamos uma nova área verde equivalente a nove campos de futebol, ou seja, quase 100 mil metros quadrados de natureza no meio da cidade. Dando certo, a metrópole agradece.

Podemos comparar este projeto à nova lei em Copenhagen, na Dinamarca, que obriga todo novo edifício a instalar coberturas vivas. A ideia é aumentar a área verde da cidade a ponto de ser carbono zero no ano de 2025. Em Toronto, no Canadá, uma lei similar resultou em 1,2 milhão de novos espaços verdes nos topos dos prédios.

Jardim vertical no Minhocão, em São Paulo. Crédito da imagem: Movimento 90°

O primeiro contato do Minhocão com um jardim vertical foi por meio deste projeto do Movimento 90° com patrocínio da Absolut.

Em São Paulo, primeiro contato do Minhocão com um jardim vertical ocorreu entre 2013 e 2014 quando o Movimento 90° investiu em um projeto piloto a fim de melhorar a qualidade de vida da população paulista. Com patrocínio da marca Absolut, a empena cega de um prédio instalado às margens do viário ganhou um jardim com 27 metros de altura, 220 metros quadrados de área e 5 mil mudas de plantas de diferentes espécies.

Os benefícios dos parques verticais vão muito além da estética. Hoje, graças a estudos científicos, é possível afirmar que um jardim vertical é capaz de reduzir em até 7 graus Celsius a temperatura interna do imóvel, além de melhorar em até 30% a qualidade do ar em seu entorno e contribuir com a redução da poluição sonora. “Talvez, de fato, a maior vantagem ainda seja viver em um local onde a natureza está mais presente”, declara o arquiteto e urbanista Oscar Müller. “Para a cidade como um todo as benesses são ainda maiores. O jardim vertical promove a evapotranspiração, minimizando os efeitos das ilhas de calor tão comuns na nossa cidade. Além disso, a água da chuva é retida e devolvida para o sistema pluvial com retardo, colaborando com a redução das enchentes”, complementa.

Justamente pensando em reduzir os riscos de enchentes, Londres optou pela inserção de um jardim vertical em um dos bairros mais afetados por alagamentos. Na região de Victoria, um paredão verde de 21 metros de altura foi instalado com a promessa de diminuir as cheias locais. Desenhado por Gary Grant, da consultoria Green Roof, o parque foi instalado na fachada de um hotel e mescla diferentes espécies de plantas. Irrigado graças a um sistema de reuso de água da chuva, o jardim vertical tornou-se um excelente sistema de drenagem.

Timelapse do jardim vertical em Londres. Crédito da imagem: dezeen.com

Clique para conferir o timelapse da construção do jardim vertical em Victoria, Londres

Cuidados para instalação e manutenção – Não existem limitações para a instalação de jardins verticais. O importante, como destaca a paisagista Beatriz de Santiago, é contar com a capacitação profissional do instalador. “Antes de pensar em um parque vertical é imprescindível contratar um profissional habilitado para fazer um estudo de todas as condições necessárias para o êxito da implantação. É fundamental analisar, por exemplo, a área de insolação, verificar as paredes a fim de evitar infiltrações e escolher as espécies adequadas”, recomenda.

Quando bem projetado, o parque vertical exige pouca manutenção e os níveis de cuidados variam de acordo com os tipos de jardins instalados. “Um dos pontos que devem ser considerados é que, uma vez coberta por um jardim vertical, aquela lateral do edifício nunca mais precisará de pintura”, salienta Müller.

O mundo investe em Jardins Verticais – Cingapura se orgulha de ter o maior jardim vertical do mundo, um condomínio que entrou para o Guiness Book pelos seus mais de 2 mil metros quadrados de área verde. A Austrália não fica atrás e luta pelo título com um projeto criado pelo inventor do conceito de jardins verticais, Patrick Blanc, que oferece um perfeito tapete verde cobrindo 50% da fachada do edifício. Mas, para Beatriz, sua grande inspiração está no metrô de Lausanne, na Suíça. A saída de uma das estações locais conta com um jardim vertical em conjunto com uma incrível cobertura viva. De olho nesta tendência, em 2012 Beatriz apresentou um projeto de jardim vertical para as saídas do Metrô do Rio de Janeiro. Porém a ideia não foi levada adiante. “Seria incrível, um privilégio para a população”, defende.

Metrô de Lausanne, na Suíca, é um excelente exemplo de aplicação de parque vertical. Crédito da imagem: Reprodução urbanarbolismo.es

Uma das estações de metrô de Lausanne, na Suíca, apresenta um excelente exemplo de aplicação de jardins verticais e coberturas vivas.

Jardins verticais no Minhocão – Os condomínios interessados devem enviar uma Carta de Intenção à Secretaria Municipal do Verde, lembrando que para participar devem estar localizados a até uma quadra do complexo e contar com uma empena cega, ou seja, uma lateral sem aberturas e janelas. A escolha dos beneficiados será feita pela Câmara Técnica de Compensação Ambiental (CTCA) e os recursos para instalação dos jardins virão da Secretaria do Verde por meio dos Termos de Compensação Ambiental (TCA).

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