Crise econômica – Como arquitetos e designers podem superar a atual instabilidade

julho 15, 2015 em Notícias

Crise - Arquitetura e decoração

O cenário é de instabilidade, mas alguns profissionais seguem acreditando no jargão que diz: “onde há crise, há também oportunidades”. E não é apenas otimismo. O que acontece é que em determinados setores é possível abrir os olhos e pensar fora da caixa a fim de encontrar alternativas que tragam novos projetos ou garantam a continuidade dos já existentes mesmo quando uma crise econômica assola o país. E um dos setores em que é possível expandir os negócios, inovar e atuar com a criatividade como aliada, é o segmento da arquitetura e decoração.

Atuando em uma linha paralela à do mercado da construção civil, os escritórios de arquitetura também já sentem os efeitos da inflação, dos juros e do dólar em alta. Com a retração da economia e a percepção de um aumento nos índices de desemprego, quem estava animado com a compra da casa própria ou da reestruturação de seu espaço comercial, pisa no freio e repensa os planos. A sensação geral é a de que é preciso cortar custos e reduzir despesas.

Recentemente, a construção civil passou por um bom período, com a alta da venda de imóveis. Como reflexo, neste atual momento, temos uma demanda inferior juntamente ao receio em consumir a longo prazo. “Tudo isso aliado à diminuição de crédito leva o mercado à crise”, comenta Túlio Marques Junior, economista atuante com estratégia empresarial e finanças pessoais.

O SINAENCO, Sindicato de Arquitetura e Engenharia, divulgou recentemente dados que preocupam: o setor fechou mais de 20 mil postos de trabalho entre o final de 2014 e o primeiro trimestre de 2015, sendo que 80% das empresas pesquisadas reduziu seu quadro de funcionários em abril deste ano.

E é justamente nesta situação que se dá a importância de uma gestão sólida e criativa. Sabendo que o momento é de redução de despesas, é preciso saber analisar e buscar alternativas. Como fez Renny Maltez, arquiteta da Donakasa, ao observar, de fato, quais são as principais necessidades dos clientes. “Diante da crise atual, o consumidor passou a buscar com mais ênfase o melhor custo benefício. Diante desta mudança de comportamento, intensificamos nosso serviço de consultoria”, afirmou.

Ao contrário do que muitos podem pensar, essa é justamente a hora de investir. Investir em relacionamento com o cliente, em estratégias de vendas e marketing e até mesmo em cursos e especializações que sejam focadas na produtividade, como por exemplo, cursos de gestão de projetos. Um bom gerenciamento de projeto, na área de arquitetura e construção, contribui com a redução de problemas construtivos ampliando a produtividade e a qualidade. O que é fundamental em um cenário de crise no qual erros tornam-se ainda mais dispendiosos.

Atuação expandida e novos parceiros – Um escritório de arquitetura e design de interiores precisa estar sempre atento ao comportamento do público. E em um país continental como o Brasil, as regiões costumam reagir de formas diferentes à crise. Vale a pena observar os consumidores com atenção, e foi assim que a Donakasa enxergou, na expansão, uma forma de driblar os atuais problemas. Agora Renny Maltez atua em Goiânia, Brasília e seus entornos, atendendo com a mesma segurança e qualidade de antes.

A decisão surgiu após uma análise: “Goiânia tem mais a cultura do ‘faça você mesmo’ enquanto em Brasília, por questões de tempo e espaço cada vez mais reduzidos, os consumidores procuram mais pelos profissionais de arquitetura”, declarou Renny. Ultrapassar barreiras geográficas pode ser uma boa alternativa com grandes oportunidades.

Firmar novas parcerias também costuma funcionar. Compartilhar experiências, redes de contatos e capacidades é sinal de ampliação de fronteiras, principalmente quando os parceiros têm competências complementares. Converse, invista em encontros de relacionamento e mantenha-se informado sobre o mercado como um todo.

De olho no futuro – Pensando num futuro próximo, os profissionais devem manter-se ativos e de olho em boas oportunidades nos próximos dois anos, período em que, para Túlio, devemos permanecer instáveis. “A crise deve durar até 2017, ensaiando uma recuperação ao final de 2016”, declarou ele que ainda dá a dica de algumas áreas que aposta permanecerem em alta: “vejo, como alternativa, trabalhar nichos como o da arquitetura verde e poupadora de energia, conciliando projetos esteticamente de qualidade com preços acessíveis. Mercado em crise não é sinônimo de mercado sem negócios. Quem apresentar boas novidades alcançará os clientes existentes”, finaliza.

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