Acessibilidade no ambiente corporativo – Nossos escritórios estão preparados?

julho 1, 2014 em Projetos Corporativos

acessibilidadeO Brasil vem passando por inúmeras mudanças graças ao aumento da visibilidade de temas que, antigamente, eram pouco debatidos. A mobilidade de pessoas com deficiências físicas e visuais é um dos pontos que ganhou destaque na mídia. Nos últimos dias, durante a Copa do Mundo 2014, o tema gerou discussão nas redes sociais quando ingressos reservados para cadeirantes foram flagrados sendo comercializados na internet juntamente com o aluguel de cadeira de rodas e a venda de laudos médicos fraudulentos.

Mesmo que grande parte da população ainda desrespeite os direitos dos deficientes, outra parcela está preocupada em promover melhorias para este grupo de pessoas. Segundo pesquisa divulgada pelo IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência), 57% dos deficientes entrevistados acreditam que a condição de vida melhorou nos últimos anos.

Para Robson Gonzales, arquiteto e urbanista, a melhoria é visível, porém é preciso mais. “Ainda que em grande parte das reformas e novas construções as questões de acessibilidade se resumam a uma rampa, executada muitas vezes de maneira errada ou incompleta, na última década houve um salto significativo na aplicação da acessibilidade no ambiente construído”, comenta.

Lei 8.213Pensando no ambiente corporativo, também temos muitos progressos a considerar. Mesmo com a vigência da Lei nº 8.213 que obriga empresas com mais de 100 funcionários a destinar de 2% a 5% de seus postos de trabalho a pessoas com deficiência, que sofreram acidentes de trabalho ou beneficiárias da Previdência Social, muitas empresas não têm se atentado que isso exige uma estrutura física adaptada. “Os escritórios em quase sua totalidade não estão preparados para incluir a pessoa com deficiência em seu quadro de funcionários, pois adequações pontuais e gerais devem ser executadas para promover a integração dessas pessoas. Além da acessibilidade física com rampas, corrimãos, elevadores adaptados, sinalização visual e tátil (que são adequações de âmbito geral), o posto de trabalho deve estar adaptado às necessidades do usuário”, declara Gonzales.

Questionado se criar um ambiente adaptado é mais caro, o profissional frisa que vale a pena investir desde o início do projeto: “se o ambiente for construído dentro dos conceitos do desenho universal, o custo aumenta entre 1% e 3%, porém se a edificação precisa ser adaptada depois de construída, este custo pode chegar a 25%”.

Para os arquitetos que buscam se especializar e criar projetos seguindo todas as normas de acessibilidade como

Escritório - Por Robson Gonzales

Entrada adaptada de escritório em Moema, zona sul da capital paulista, projetada por Robson Gonzalez

a NBR 9050 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, o ideal é investir em estudo de casos e cursos de especialização. Infelizmente o mercado ainda apresenta projetos idealizados por pessoas não capacitadas e quem sofre é o deficiente. “Vemos, por aí, muitas adaptações projetadas e executadas de maneira errada e dispendiosa. Planejar o nível e as etapas das adequações também faz parte do escopo do projeto”, diz Gonzales.

Para os interessados, o SENAC oferece o curso “Desenho Universal – Acessibilidade para uma Arquitetura Inclusiva” que fornece noções de como detectar as dificuldades encontradas e projetar para a diversidade de pessoas, incluindo as com deficiência e mobilidade reduzida.

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